Resenha – Homem de Ferro 3

Antes de mais nada, fica o aviso: embora costume escrever resenhas sem spoilers, neste caso seria muito difícil, por isso há um leve spoiler sobre o personagm Mandarim. Bom, agora já me eximo de qualquer responsabilidade e posso começar a escrever sobre o filme.

Homem de Ferro 3 começa com um flashback de Tony, onde ele conhece a botânica Maya Hansen (Rebecca Hall) e o cientista Aldrich Killian (Guy Pearce). Depois, voltamos ao presente e vemos que Pepper está vivendo com Tony, que anda sofrendo com ataques de ansiedade e estresse pós-traumático desde os eventos ocorridos em Os Vingadores. Cada vez dormindo menos, ele dedica todo seu tempo ao desenvolvimento de novas armaduras, ignorando totalmente o que se passa no restante do mundo, incluindo o aparecimento de um mega-terrorista chamado Mandarim. Nesse meio tempo, Killian reaparece, totalmente diferente e com sua tecnologia já desenvolvida, tentando vender seus projeto para as Indústrias Stark, agora comandadas por Pepper. No entanto, o projeto é recusado por possuir um potencial bélico praticamente ilimitado. E, é a partir daí que o longa realmente se desenvolve.

Apesar de ser o filme que mostre mais armaduras diferentes, também é aquele em que Tony Stark se mostra mais vulnerável desde o princípio. Seus ataques de ansiedade e a necessidade de construir mais e mais armaduras refletem seu medo de não ser capaz de proteger a si mesmo e, principalmente, aqueles com quem se importa. Ele reconhece ser somente um homem e não um supersoldado, um Deus, ou um gigante furioso sem qualquer fraqueza.

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Robert Downey Jr. consegue explorar essa nova faceta do herói com perfeição, mas sem jamais deixar o personagem perder suas principais características. Ao longo dessa nova jornada, ele volta as origens, demonstrando que o Homem de Ferro não está onde as armaduras estão, mas sim onde o homem está. Afinal, o super poder de Tony Stark é seu intelecto e sua habilidade de desenvolver novas tecnologias, sendo isso que o fez escapar de seu cativeiro no primeiro filme.

Contudo, não é somente Tony que evolui como personagem, Pepper, que jamais foi somente uma donzela em perigo, passa a ser ainda mais ativa e sua importância ultrapassa o simples par romântico. Ela, agora presidente das Indústrias Stark, é colocada em pé de igualdade com Tony.

O ponto mais polêmico do filme com certeza é o Mandarim. Ao contrário dos quadrinhos, onde o personagem é um gênio científico, que rivaliza com Tony, e possui acesso a tecnologia alienígena, utilizando-a em seus anéis, o que vemos no filme é completamente diferente, o que pode gerar certa indignação de alguns fãs. Porém, na minha opinião, isso foi necessário, porque nas HQs o Mandarim é extremamente poderoso (inclusive para os padrões dos quadrinhos) e possui uma origem um tanto longa e complexa, sendo necessário tempo para que a história fosse contada da maneira correta. Então, ao invés de forçar a entrada do personagem e não fazer da maneira correta, foi preferível utilizar algo diferente, muito mais em tom de homenagem.

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O primeiro filme solo pós-vingadores consegue manter um bom nível, ainda que no fim das contas recicle diversas ideias de Dark Knight Rises (veja atentamente e perceberá do que estou falando), ainda que num nível um pouco mais baixo. Ainda assim, no final das conta a franquia se redime em relação ao segundo filme, ainda que contendo muitos clichês do gênero e um ou outro personagem demasiadamente cartunesco.

Enfim, apesar de não ser um filme muito profundo, ou repleto de dilemas morais, como o encerramento de um ciclo este filme funciona bem, reconhecendo seus limites e não tentando jamais ultrapassar sua proposta, que é ser um filme divertido baseado em HQs. Tony Stark acaba reconhecendo suas principais qualidades e defeitos, finalmente se aceitando pelo que ele é, sem depender excessivamente da tecnologia.

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