Resenha – Son of Batman

Após lançar Justice League: War como início dos Novos 52 e a pouco divulgada JLA Adventures: Trapped in Time no início do ano, a Warner Bros. e a DC Entertainment continuam com sua onda de novas animações. Desde que lançaram Superman: Doomsday em 2007, eles seguem dando cada vez mais atenção ao público que assiste TV, mirando nos lançamentos domésticos. Neste embalo, foi lançado ontem no mercado norte-americano o filme Son of Batman. Baseado no arco de mesmo nome do escritor Grant Morrison, publicado em 2006, este longa animado trata da descoberta de que Bruce Wayne teve um filho com Talia Al Ghul, chamado Damian.

Na época os fãs foram surpreendidos com a relevação, pois quase ninguém lembrava da clássica história dos anos 80 que foi usada para introduzir o personagem, chamada de O Filho do Demônio, onde Bruce se relacionou com a filha de Ra’s Al Ghul e no final ela gera um filho. Esta história causou polêmica na época e foi desconsiderada para cronologia oficial do Universo DC, porém isso não impediu Morrison de reaproveitar este pano de fundo para criar um novo personagem na extensa mitologia do homem-morcego.

Logo no início do filme vemos a base de Ra’s Al Ghul ser atacada, sofrendo grandes prejuízos, acarretando numa luta rápida entre Damian e o grande antagonista da trama, Slade Wilson, o Exterminador. O clássico vilão aqui é retratado como membro renegado da Liga das Assassinos, numa alteração significativa da história original das HQs que pode desagradar os fãs mais antigos. Após este combate, Damian jura vingança contra o inimigo e logo em seguida é levado por Talia à Gotham para finalmente conhecer seu pai.

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Treinado pela Liga dos Assassinos e com DNA do Batman, Damian é o típico personagem juvenil com capacidades de combate extraordinárias e por isso assim que desembarcou em Gotham não tardou para assumir o posto de Robin. Acontece que devido às suas raízes, a princípio levar o garoto para uma cruzada contra o crime não foi boa ideia e causou mais problemas do que o previsto.

Após conhecer Bruce, passamos a ver a transformação do personagem, que aos poucos vai aderindo aos ensinamentos de seu pai, sem nunca abandonar sua natureza assassina. Isto causa um choque entre a personalidade de ambos, já que o Batman não permitiria que uma vida fosse tirada sob nenhuma hipótese. Ainda temos a oportunidade de ver Dick Grayson, o Asa Noturna, em um acirrado confronto entre o ex-Robin e seu substituto atual, que mostra de forma interessante o grau de conflito entre a personalidade de ambos.

Assim como Justice League: War, esta é uma animação violenta, com sangue e desmembramentos de sobra, tornando a mesma inapropriada para o público infantil. Não só de forma estética, a violência também é verbal, pois o filme não economiza em termos adultos que parecem exagerados em determinados momentos. O desenho remete ao estilo gráfico japonês, valorizando personagens como Talia e a roupagem oriental da Liga dos Assassinos. Essa abordagem facilitou pelo menos as cenas de luta, que não são poucas.

No elenco de dubladores temos nomes como Jason O’ Mara reprisando a voz de Batman, Stuart Allan como Damian Wayne, Thomas Gibson como Exterminador, Morena Baccarin como Talia e Giancarlo Esposito (Gus de Breaking Bad) como Ra’s Al Ghul.

Infelizmente, a descaracterização de alguns personagens e o excesso de violência prejudicou esta animação, que não está entre as melhores da DC Entertainment, mas vale ser assistida pelos fãs do personagem e da fase Morrison, que possui suas peculiaridades.

O próximo lançamento animado da DC será ambientado no universo do game Batman: Arkham Asylum e se chamará Batman: Assault on Arkham, com destaque para o Esquadrão Suicida.

Ficha Técnica
Son of Batman – 2014
Duração: 74 minutos
Gênero: Animação
Direção: Ethan Spaulding
Roteiro: James Robinson

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