Resenha – Batman: Arkham Knight

De todos os super-heróis dos quadrinhos, Batman talvez seja o mais influente na cultura pop mundial, marcando presença constante em filmes, desenhos animados e, claro, nos videogames. Na geração de consoles passada a então pouco conhecida desenvolvedora Rocksteady lançou Batman: Arkham Asylum (2009), game que colocou o Cavaleiro das Trevas contra boa parte de seu farto acervo de vilões no clássico sanatório de Gotham. Naquela ocasião, o título chamou atenção até de quem não era fã do Homem-Morcego e garantiu uma sequência, Arkham City (2011). No segundo capítulo pudemos explorar um bairro presídio na cidade protegida pelo morcego e vimos a evolução de tudo que havia feito sucesso no game original, com uma trama tão surpreendente quanto e ainda mais inimigos.

Depois de um pequeno adiamento, acabou de chegar para atual geração a conclusão da saga. Em Arkham Knight o herói enfrenta um novo vilão, cercado de mistério desde o anúncio do título, utilizando pela primeira vez na franquia o lendário Batmóvel para dominar as ruas de Gotham na noite em que o Espantalho põe em prática um plano caótico. Esta é a trama central, que se expande através de muitos objetivos secundários e algumas reviravoltas. Assim como nos jogos anteriores, o jogador tem liberdade para escolher suas missões num mundo aberto vivo e recheado de referências aos quadrinhos da DC Comics. Neste que é o maior mapa disponível na série o jogador encontra inúmeros elementos conhecidos pelos fãs, como prédios da Lexcorp, Queen Industries e Amertek, só para citar alguns.

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Com mais volume de conteúdo do que nunca, a Rocksteady chega ao fim da saga seguindo sua fórmula de sucesso e celebrando a maioria dos personagens que não apareceram nos dois primeiros games, com bastante destaque para batfamília. Ao longo deste terceiro capítulo temos as presenças de Robin, Asa Noturna, Mulher-Gato e outros aliados do herói, podendo pela primeira vez ser controlados pelo jogador em combates de dupla, permitindo combos incríveis. Enquanto vaga pelas ruas o fiel mordomo Alfred se comunica constantemente com o Batman para passar informações e conversar com seu patrão sobre assuntos diversos. Conforme Batman enfrenta as ameaças, a cidade reage e os capangas mudam seus discursos, sabendo aquilo que você já realizou. Após terminar a trama principal é possível notar que muitas missões secundárias tem desdobramentos distintos como consequência de suas ações.

Apesar de ser um dos maiores artistas marciais do Universo DC, Batman conta com equipamentos de ponta para o auxiliar em suas missões e boa parte da tecnologia vista nos últimos jogos retorna com melhorias e novidades. Completar missões e vencer combates dá ao Batman pontos de experiência, que podem ser usados para adquirir atualizações da Wayne Tech, inclusive para o Batmóvel. Algumas dessas tecnologias na história são apresentadas por Lucius Fox, responsável pela tecnologia das empresas Wayne que permite ao Batman superar seus obstáculos. Conseguir todas as melhorias para o Homem-Morcego, incluindo traje, movimentos, batmóvel e equipamentos deve consumir bastante tempo de jogo e muita exploração, mas acaba sendo necessário para alcançar 100% de progresso.

Um dos grandes destaques dos jogos anteriores é sem dúvida o combate e neste quesito o capítulo final da saga não fica devendo. Usando e abusando da agilidade e das técnicas de combate do Batman, o jogador tem total controle sobre as lutas. Para enfrentar quantidades enormes de capangas, o jogador deve acertar o tempo de cada ação para desferir combos arrasadores e sentir pena da bandidagem. Os inimigos possuem escudos, armas de fogo, porretes e atiram praticamente qualquer coisa em cima de você nos momentos de desespero, criando uma variedade satisfatória para os confrontos. Caso o jogador seja cauteloso, é possível utilizar abordagem furtiva para limpar a maioria dos cenários fechados e até alguns abertos, como telhados. Diversidade de ação não falta e enquanto você praticamente voa pela cidade com sua capa é realmente possível se sentir como o próprio Batman.

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O Departamento de Polícia de Gotham aparece de forma muito útil, tendo um quadro com o percentual de criminosos presos e você realmente pode vê-los separados em celas que vão ficando cada vez mais lotadas conforme derrota as respectivas gangues. Também existe uma sala de evidências com objetos pertencentes aos inimigos enfrentados anteriormente, sendo um dos locais mais legais do novo game. Interessante notar que cada vilão tem suas próprias linhas de diálogo de acordo com eventos passados envolvendo o morcego, sendo ainda possível conversar com cada policial do departamento. Os vilões tem suas mitologias muito bem exploradas e mesmo que o Espantalho seja o antagonista central, temos Pinguim, Duas-Caras, Charada, Hera Venenosa e vários outros com tramas próprias, sem esquecer do Coringa, que tem importância crucial durante a aventura.

Como sugerido pela publicidade por trás do título, o inédito Batmóvel é fundamental, sendo muito útil para locomoção nas ruas como também para realizar objetivos primários. O lendário carro do Batman aparece com armamento pesado em sua forma parecida com um tanque de guerra (que por vezes lembra o Batmóvel da trilogia Nolan dos cinemas) e cria uma sensação de liberdade extra ao mundo aberto podendo ser chamado a qualquer instante ao apertar de apenas um botão. É possível ainda controlar o veículo via controle remoto, o que permite abordagem tática e ainda resolução de certos quebra-cabeças. A cidade de Gotham está maior e mais detalhada do que nunca, fazendo pleno uso da capacidade dos consoles de atual geração, apesar do lançamento da versão de PC ter sido problemático. Os efeitos visuais da chuva (que dura toda a noite) e do vento na capa do Batman são particularmente impressionantes, assim como texturas no geral e gráficos dos personagens.

Mesmo com grau de dificuldade relativamente baixo para quem está habituado aos jogos anteriores e enredo um pouco óbvio em certos pontos, os jogadores não devem ver o tempo passar até chegar ao épico final da trilogia (desconsiderando Batman: Arkham Origins, desenvolvido pela WB Montreal e lançado em 2013), passando por reconstituições de momentos emblemáticos dos quadrinhos e focando na identidade do misterioso Arkham Knight. Entretanto, nem o final deve fazer o jogador abandonar a cidade, pois existe muito o que fazer além da trama principal, incluindo inúmeros desafios AR e troféus do Charada para obter. Vale mencionar que a edição nacional chega totalmente localizada com dublagem brasileira e conteúdo extra para download. Para os fãs do Batman fica a satisfação de dever cumprido com a saga, mas para os fãs da DC Comics fica a esperança desta franquia ter aberto caminho para uma nova era de games baseados em seu panteão de heróis.

Ficha Técnica:
Título: Batman: Arkham Knight
Gênero: Ação/Aventura/Mundo Aberto
Desenvolvedora: Rocksteady
Distribuidora: Warner Bros.
Data de Lançamento: 23/06/2015
Preço Sugerido: $59,99/R$249,90
Plataformas: PlayStation 4, Xbox One e PC

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