Resenha – Mad Max

Décadas depois de se estabelecer como um clássico bem sucedido, Mad Max voltou aos cinemas este ano com Estrada da Fúria, que provou novamente a capacidade do diretor George Miller  de criar um longa de ação do mais alto nível. Porém, aqui não estamos falando do excelente longa que vimos há alguns meses, mas do jogo que traz a franquia para a atual geração de consoles. Se você acompanha a indústria dos games há algum tempo deve saber que quando um jogo acompanha um filme geralmente é mau sinal. Felizmente Mad Max se provou uma grata exceção.

Com ação e corrida num mundo aberto imenso, desertos sem fim com fortalezas espalhadas e toda mitologia dos filmes, de cara se percebe que este jogo leva o DNA de Mad Max. Assim como no cinema, o protagonista do jogo é do tipo casca grossa que fala pouco, seguindo os legados de Mel Gibson e Tom Hardy. Novamente vemos o personagem inserido num mundo que deu errado e o objetivo é sobreviver a todo custo. O pontapé inicial da trama é simples: Max é capturado pelos garotos de guerra do principal antagonista Scabrous Scrotus (Sim, bom humor não falta neste jogo) e ao escapar tem seu carro equipado com o venerado motor V8 levado para Vila Gasolina. Claro que este local só é acessível no fim do jogo e o caminho até lá marca grande parte da árdua jornada.

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Sendo fiel ao material de origem, o jogo apresenta todos os elementos que tornaram o mundo de Mad Max famoso e de forma que afeta a jogabilidade. A escassez de água, combustível e alimento torna necessária uma busca constante pelo imenso mundo aberto. Apesar de durão, Max não é indestrutível e irá morrer caso o jogador não tenha água no cantil e irá andar a pé caso não haja gasolina no veículo. É possível observar diversos detalhes sutis que garantem um ar de realismo, como o fato do personagem mancar caso você caia de uma altura considerável. Sobrevivência é o tema central do jogo e para isso Max precisa estar constantemente explorando locais abandonados e escuros com sua lanterna, comendo animais e saqueando tudo que encontrar. Entretanto, a forma mais certeira de encarar a morte é não estar preparado para o combate e isso é algo que Mad Max tem de sobra, muitas vezes da forma mais explosiva e visceral possível.

Apostando no seguro, a produtora Avalanche Studios optou por seguir a fórmula de combate consagrada na franquia Batman Arkham e presente em outros jogos de mundo aberto da Warner Bros, como Sombras de Mordor. Para se dar bem nestas lutas o jogador precisa prestar atenção em apenas uma coisa: timing. Em Mad Max os numerosos combates são fluídos e você deve ficar atento para contra-atacar quando surgir o sinal acima do inimigo que está prestes a te acertar, podendo também rolar ou se defender. Transbordando violência, a pancadaria inclui armas de fogo, armas brancas, técnicas de combate e mais qualquer coisa útil que estiver no cenário, como os recorrentes tonéis explosivos. Conforme você cria combos, uma barra de fúria é preenchida e permite finalizações especiais, causando um estrago ainda maior.

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A grande atração do jogo não é caminhar pelo mundo de Mad Max, mas sim dirigir nele. Seu veículo é o centro do game e boa parte do tempo que você passar jogando será em prol de melhorias para seu carro, totalmente customizável. Enquanto dirige é possível percorrer desertos em alta velocidade, pular rampas, atacar comboios inimigos, atirar em carros durante manobras em câmera lenta e criar explosões épicas. Tudo que te encontra vai tentar te matar neste mundo hostil e praticamente tudo que é destruído vira sucata, a moeda do jogo. Obtendo sucata você pode adquirir melhorias para seu veículo e personagem, além de habilitar diversas opções de customizações interessantes, incluindo aparência de Max com cabelo, barba, luvas e jaquetas. Não só de destruição se obtém sucata, sendo exigidas fartas doses de exploração para alcançar todos os coletáveis e locais secretos.

Além da história principal que sozinha não é muito longa, o game possui uma boa variedade de missões secundárias e nela encontramos a longevidade do título. São dezenas de horas que tendem a se repetir na medida que você acessa novas áreas do mapa e encontra os mesmos objetivos. Estamos falando de corridas, desarmamento de bombas, áreas com coletáveis, símbolos enormes das forças do Scrotus e coisas do tipo. Para ser possível navegar com mais facilidade, cada região traz vários pontos de balões e ao subir neles Max pode usar seu binóculo para mapear toda a redondeza e marcar no mapa locais importantes. Este reconhecimento está presente em praticamente todos os jogos do gênero, mas esta foi uma solução adequada e criativa para o mundo de Mad Max.

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Por mais que quase tudo tenha sido perdido nas terras desoladas, ainda existem sobreviventes que resistem ao domínio de Scrotus. Estes personagens estão principalmente em fortes, que dividem as áreas centrais do mapa e trazem missões próprias. Cada forte pode receber através de exploração uma série de melhorias que vão ajudar sua vida, mas não chegam a ser essenciais para chegar ao fim da trama principal. Por exemplo, se você construir um arsenal sua munição será automaticamente preenchida ao entrar naquele forte. Além da resistência, temos poucos sobreviventes vagando pelo mundo, que podem fornecer informações valiosas ou apenas pedir água. Dizer que o mundo de Mad Max é vivo seria irônico dada a distopia generalizada presente na obra de George Miller, porém o game traz eventos aleatórios que geram um dinamismo interessante, como tempestades de areia que podem acontecer a todo instante com recompensas ocultas.

No fim das contas os fortes funcionam como bases e para circular livremente entre elas você deve diminuir a influência inimiga eliminando tudo que pertence ao comando de Scrotus, o que inclui acampamentos infestados de garotos de guerra, dos mais variados tipos. Os fortes são ainda estacionamentos para os veículos que você captura, podendo fazer sua própria coleção. Só não se engane: o seu veículo padrão é a alma do jogo. Nele você customiza pintura, carroceria e muitas peças que alteram visual e performance. Para garantir que seu veículo principal resista, o mesmo é sempre acompanhado pelo mecânico, o que foi uma solução inteligente para mobilidade e ainda mantém o fluxo de diálogos. O personagem secundário serve ainda para carregar suas armas e leva o carro se você usar o sinalizador. Caso você não gosta que falem enquanto dirige não tema, pois tem como parceiro alternativo o cão, que é salvo no início do jogo e serve para farejar bombas.

Com as ações de Max, o personagem vai se tornando desde o início do jogo uma verdadeira lenda e com isso você pode adquirir em troca de tokens melhorias especiais com um místico personagem misterioso. Em termos técnicos o jogo não é dos mais impressionantes atualmente, tendo algumas quedas na taxa de frames, porém no geral não faz feio e ainda tem um modo de captura de imagens com filtros interessantes. Por abusar de uma fórmula já batida de mundo aberto e se estabelecer num universo já bem explorado nos cinemas, Mad Max é uma experiência familiar e ao mesmo tempo distante dos péssimos jogos baseados em filmes.

No fim das contas Mad Max se estabelece como uma ótima opção de sandbox (literalmente areia) que é um verdadeiro presente aos amantes da franquia. Se você gosta de fazer tudo em mundo aberto, este aqui tem dezenas de horas de diversão te esperando. Infelizmente o jogo não traz opção de dublagem e é apenas legendado em PT-BR, diferente de lançamentos recentes da Warner (como Batman: Arkham Knight), mas para muitos isto é o bastante.

Ficha Técnica:
Título: Mad Max
Gênero: Ação / Corrida / Mundo Aberto
Desenvolvedora: Avalanche Studios
Distribuidora: WB Games
Data de Lançamento: 25/08/2015
Preço Sugerido: $59,99/R$249,90
Plataformas: PlayStation 4 (versão testada), Xbox One e PC

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