Resenha – Prince of Thorns

Prince of Thorns é o primeiro livro da Trilogia dos Espinhos escrita por Mark Lawrence publicada no Brasil pela Darkside.

Na trama, Jorg, o príncipe dos espinhos, é um garoto que jurou vingar sua mãe e irmão mortos em uma emboscada planejada por um dos reis das terras próximas. Seu pai, Olidan Ancrath, sendo um rei diplomático, aceita que tudo seja esquecido em troca de tesouros e terras irrisórias. Jorg, claro, não é um príncipe de aceitar as coisas dessa maneira e foge em busca de vingança.

A edição lançada pela Darkside está maravilhosa: capa dura com efeito, mapa, edição e revisão. Tudo está excelentemente bem feito em todos os sentidos. Se estivéssemos falando somente de arte, a editora ganharia um prêmio.

Sabendo que temos aqui o livro de estreia de Mark Lawrence, conseguimos notar em poucas páginas que lhe falta maturidade para escrever. Em todos os quesitos o livro falha tecnicamente. Sejam os personagens unidimensionais, o enredo problemático ou a ambientação ínfima, Mark precisa urgentemente ler Sobre a Escrita para que possa ter lições básicas de escrita com Stephen King.

Jorg, o personagem principal, é irreal. Estamos diante de um garoto de 14 anos que dialoga como se fosse um adulto de 35. Você o detestará porque ele parece ser um personagem anti-herói jogado no livro para ser xingado e odiado. As suas ações são impensadas, como ações de adolescentes, porém seus diálogos e habilidades de luta são incrivelmente adultos, o que torna a premissa do livro problemática de início. A cena de sexo com uma das garotas de programa é tão falsa que mais me pareceu roteiro de filme pornô.

Li por aí que as pessoas ficaram horrorizadas com o que leram porque teríamos muito sangue, estupros e todos os tipos de violência, mas em nenhum momento senti isso. Acredito que houve mais uma tentativa frustrada de chocar o público com frases e ações genéricas do que qualquer outra coisa, usando isso para tapar seu despreparo. Sim, há sangue e tripas, mas você consegue notar que todas essas artimanhas não funcionam. O uso desse tipo de violência serve apenas como um chamariz para ofuscar os diversos problemas que o livro exibe desde o início.

Dentre o grande grupo de personagens secundários, nenhum consegue ter carisma. São definidos por características físicas e reagem da mesma forma que qualquer um, estando no livro para serem genéricos e puramente imbecis. A “gangue” de Jorg parece cega a tudo o que o garoto faz, mesmo quando mata membros do próprio grupo pelo simples fato de estar com vontade. Não perca seu tempo tentando memorizar os nomes deles porque são patéticos, rasos e pontualmente colocados no texto como pretexto para as ações do garoto.

A falta de experiência do autor parece nítida também quando ele tenta detalhar a ambientação com pouquíssimas palavras. Há o mapa logo no início do livro, mas não se importe em olhá-lo porque ele só está lá para fazer você acreditar que o mundo do livro é gigante e bem explorado, mas na verdade ele não passa de um cenário genérico de Game of Thrones. A habilidade em detalhes é tão falha que muitas você não saberá onde está. Lawrence passa pelas localidades sem dar o mínimo de noção ao leitor.

Embora a premissa seja interessante e os primeiros capítulos pareçam atraentes, o livro segue em uma ladeira vertiginosa. A história se torna sem sentido para existir, ações, capítulos e páginas se passam e nada é adicionado ao enredo. O leitor passará pelas páginas tentando decifrar onde estarão os pontos que fazem sentido para amarrar a história. E prepare-se para uma a explicação que o autor dá para essa divagação da trama, ela é esdrúxula.

Prince of Thorns é mais uma dessas derivações ultra genéricas de As Crônicas de Gelo e Fogo escrita por um autor ainda imaturo em suas habilidades literárias, ainda com muitos defeitos e fandom sem sentido.

 

Prós:
– Início Interessante
– Livro Físico de Alta Qualidade

Contras:
– Escrita Amadora
– Personagens Unidimensionais
– Trama Ruim
– Genérico

 

Editora Darkside                                             360 páginas                                                       2013