Resenha – Rua Cloverfield, 10

Estreou neste fim de semana no Brasil o longa Rua Cloverfield, 10. Com um título que sugere uma continuação direta para o filme de monstros de 2008 produzido por J.J. Abrams (Lost, Star Wars: O Despertar da Força), o “novo Cloverfield” chegou de surpresa e pouco tem a ver com seu antecessor (pelo menos a princípio). Sendo filmado em pouco mais de 30 dias e com sua revelação através de um trailer dois meses antes da estreia, o longa chega com muitos mistérios no ar, o que já virou marca registrada do produtor.

A trama tem início quando a protagonista Michelle (Mary Elizabeth Winstead), com problemas de relacionamento, sofre um acidente de carro e acorda presa em local desconhecido. Logo ela descobre que está sendo cuidada por um homem, Howard (John Goodman), que revela que eles estão em um bunker e o mundo não é mais habitável por conta de um ataque cuja natureza não é revelada no primeiro momento.

Junto deles está Emmet (John Gallagher Jr.), um sujeito que ficou ferido e correu para o bunker logo quando começou o tal ataque, mas que também não faz ideia do que acontece do lado de fora. Com esta premissa, o roteiro abusa do clima de mistério e coloca Michelle e Emmet como pessoas de sorte por terem sido acolhidos por Howard, que se mostra um homem obsessivo com a segurança deles. Sem acreditar na história apocalíptica, Michele decide escapar e ver o mundo com seus próprios olhos, o que obviamente gera uma preocupação enorme para o dono da casa, já que caso a porta do abrigo seja aberta haverá contaminação do único ambiente seguro para sobreviver. Com isso se inicia um jogo paranoico em que pistas da verdade são distribuídas a todo instante e o enredo evolui num ritmo que segura firme a atenção do espectador.

Cloverfield Lane 10 - mid

Vale mencionar que a atriz principal, apesar de jovem, possui ampla experiência com filmes de terror (Grindhouse, O Chamado 2, Premonição 3) e consegue passar com naturalidade a atmosfera terrível de sua situação, sendo digna da empatia do público. Os três personagens interagem durante quase todo enredo, que se sustenta apenas com o trio e pouquíssima participação externa (contando com uma ponta bastante inusitada de Bradley Cooper). A ausência de um elenco volumoso é compensada por grandes atuações, principalmente por parte de Goodman, que cria um personagem incrivelmente aterrador e convincente.

Tecnicamente, o filme merece muitos elogios. A fotografia é de altíssima qualidade e transmite o efeito de claustrofobia que maximiza o impacto de algumas cenas. Muitos momentos do filme se beneficiam com técnicas de filmagem apuradas, trazendo um espetáculo visual mesmo num ambiente tão limitado. Já a trilha sonora também cumpre muito bem seu papel e ajuda a gerar tensão e suspense na medida certa. Uma música em particular é fundamental na composição de um dos trechos mais memoráveis do longa, que é a mesma cena do trailer, gerando uma sensação de passagem do tempo essencial para trama. Os efeitos especiais são econômicos e escassos, pelo menos até o terceiro ato, que traz um final surpreendente.

Fica a expectativa para o que J.J. Abrams pretende produzir a seguir para a série Cloverfield, que aparentemente será expandida numa antologia de produções com tons diferentes, porém tramas interligadas dentro do mesmo universo. Pra quem gosta de debater e criar teorias, Rua Cloverfield, 10 é uma ótima opção disponível nos cinemas. Não espere monstros gigantes ou perspectiva da câmera desta vez, mas sim uma retomada inovadora de uma “franquia” que ainda deve render boas surpresas no futuro.

Ficha Técnica:
10 Cloverfield Lane – 2016
Duração: 103 minutos
Gênero: Suspense/Terror
Produtor: J.J. Abrams
Diretor: Dan Trachtenberg
Elenco: Mary Elizabeth Winstead, John Goodman, John Gallagher Jr. e Bradley Cooper

John Goodman as Henry; Mary Elizabeth Winstead as Michelle; and John Gallagher Jr. in 10 CLOVERFIELD LANE; by Paramount