Resenha – Mogli: O Menino Lobo

Já faz algum tempo que a Disney vem insistindo em adaptar seus icônicos clássicos animados para live action. Tivemos Malévola, trazendo o conto da Bela Adormecida sob uma nova ótica, Alice no País das Maravilhas, depois Cinderella e agora Mogli: O Menino Lobo. Bom, o primeiro é praticamente uma nova história que ignora quase que completamente o original, o segundo é uma overdose visual sem grande conteúdo, o terceiro é quase o mesmo, mas com o bônus no aprofundamento dos personagens, já Mogli é algo diferente… O filme dirigido por Jon Favreau é fiel, aprofunda os personagens e mais do que isso consegue expandir a história como um todo, criando novos elementos e dimensão.

A história de Mogli já deve ser conhecida pela maioria. Um bebê humano é encontrado na floresta pela pantera Baguera, que o leva para ser criado pelos Lobos. Após alguns anos, o Tigre Shere Khan descobre que o garoto estava vivendo na selva e o exige para si. Não querendo colocar sua alcateia em perigo, Mogli decide partir e Baguera pretende levá-lo de volta para os humanos. É a partir deste ponto que a maior parte da aventura começa, sendo na realidade uma jornada de auto-descobrimento.

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Um dos maiores receios com relação a este longa era quando ao uso de computação gráfica (CG) já que o único ator de carne e osso realmente é Neel Sethi, o ótimo intérprete do personagem título. Contudo, a tecnologia empregada é sensacional e durante quase todo o filme a sensação que temos é de realmente estarmos na selva com Mogli. O CG não incomoda em momento algum, mesclando-se perfeitamente com o todo, sendo daqueles filme que merece ser visto em IMAX.

Se visualmente a produção é um espetáculo a parte, a história não fica muito atrás. A fábula animada pela Disney em 1967 ficou marcada como última animação produzida por Walt Disney antes de sua morte, em 1966, e tem o selo de qualidade do mestre. Mas, o filme de Jon Favreau consegue superar a animação ao acrescentar mais a história sem jamais descaracterizá-la, com isso pode muito bem tornar-se a versão que ficará marcada daqui para frente, algo que nenhuma das adaptações com atores e cenários reais havia conseguido até este momento.

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O elenco de dubladores originais inclui as vozes de Scarlett Johansson (Kaa), Bill Murray (Baloo), Idris Elba (Shere Khan), Ben Kingsley (Baguera), Christopher Walken (Rei Louie), Giancarlo Esposito (Akela) e Lupita Nyong’o (Raksha). Todos estes astros parecem ter sido escolhidos a dedo, encaixando-se perfeitamente em seus personagens, por isso vale muito a pena conferir a versão legendada. Ainda assim, a dublagem nacional faz bonito com atores de peso, algo que normalmente não é tão comum… Destaco principalmente Dan Stulbach como Baguera, Marcos Palmeira como Baloo e Julia Lemmertz como Raksha.

Enfim, Mogli: O Menino Lobo ao não apostar unicamente na nostalgia, apesar de termos alguns momentos incríveis que fazem menção ao original, nos traz algo novo, inesperado e capaz de agradar igualmente crianças e adultos. Por isso, pode ser considerado um dos grandes acertos recentes dos estúdios Disney e merece ser conferido nos cinemas.

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