Resenha – Uncharted 4: A Thief’s End

Quem imaginaria que ainda poderíamos ter uma surpresa com relação à série Uncharted, depois do desfecho do terceiro jogo na geração passada? Pois bem… A Naughty Dog conseguiu novamente e tenho pena dos caras, porque em todo o trabalho que terão pela frente já começarão com a pressão de se superar. Emplacando o seu quinto jogo consecutivo com um score de Metacritic acima de 90 pontos, a produtora nos entregou mais uma obra de arte. Sim, obra de arte, pois passamos da época desse preconceito de que video games não eram considerados arte, mas vamos ao que interessa.

Uncharted 4: A Thie’s End, lançado agora no dia 10 de maio, cumpriu o que prometeu: um jogo que ao mesmo tempo é mais do mesmo (o que necessariamente, não é uma coisa ruim nesse caso) e também nos trouxe algumas novidades como uma história um pouco mais séria se compararmos com os outros títulos da franquia e algumas inovações com relação ao gameplay. A corda e o stealth que o jogo nos oferece, nos dão opções inéditas para engajar em certos encontros de várias maneiras possíveis. O restante das mecânicas tradicionais da franquia está de volta, só que de forma mais refinada do que nunca, contando com o carisma dos personagens centrais em grandes aventuras ao redor do mundo. Em termos gráficos e sonoros o jogo é um verdadeiro espetáculo e o jogador é convidado a parar e admirar seus cenários em muitos momentos da jornada. Mesmo com uma variedade de ambientes generosa, não existe parte deste mundo que não seja digna de admiração, seja em cidades populosas ou ilhas paradisíacas.

Desta vez a trama é mais pessoal do que nunca para o explorador Nathan Drake, que deve sair da aposentadoria para caçar um tesouro pirata lendário e ajudar o irmão Samuel, quem Nate achava estar morto há anos. O relacionamento e o passado dos irmãos são os maiores focos do enredo, que relembra grandes momentos da vida dos Drake. Obviamente eles não são os únicos atrás do ouro perdido e terão muita dor de cabeça até atingir seu objetivo, mas sempre com o humor e o drama característicos da série.

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Tecnicamente, o jogo é excepcional, temos sem sombra de dúvidas, o mais belo jogo em consoles até o momento e mais bonito até que muitos jogos para PC. Efeitos de luz dinâmica, draw distance alto, anti-aliasing bem aplicado e outros aspectos fazem deste um título que definitivamente justifica o investimento num Playstation 4. O jogo roda a 30 fps (60 no multiplayer), mas obviamente temos um ou dois soluços aqui e acolá, o que é justificável, pois o nível de detalhamento geral está incrível.

Tudo nesse jogo foi muito bem desenvolvido e nota-se que foi feito com muito carinho. As performances de Nolan North como Nathan Drake, e de Troy Baker como seu irmão nunca antes mencionado Sam, estão no mesmo e altíssimo nível a que estamos acostumados com o trabalho dos dois. O resto do elenco também não decepciona: temos Richard McGonale retornando com Victor “Goddamm” Sullivan e Emily Rose como a agora esposa de Drake: Elena Fisher. Ambos não deixam nada a desejar, junto com um intérpretes que tem participações em filmes como Vingadores: Era de Ultron, que é o caso do ator que dá vida a Rafe Adler, o vilão do jogo, Warren Cole e Laura Bailey como Nadine Ross. Felizmente no Brasil a Sony providenciou localização completa, então é possível jogar com legenda e dublagem nacional.

A história não foi o único elemento a ser herdado de The Last of Us, o arrasa-quarteirão anterior do estúdio, com os chamados encontros agora ocorrendo com uma melhor ênfase ao stealth. Claro que ainda se pode dar uma de Rambo e metralhar todos, mas pode acreditar que isso não é muito viável nas dificuldades mais altas, já que os mercenários inimigos estão bem equipados e a IA é competente. O gunplay é excepcional, diferente do 3º título da série que nem com o patch resolveu. Não temos aquelas situações de inimigos infinitos (salvo uma ocasião que visivelmente foi colocada pra quem é caçador de troféus, como quem vos fala…) e esponjas de balas (estou falando com você, The Division), existindo balanceamento perfeito entre combates e exploração.

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Uncharted 4: A Thief’s End é sem sombra de dúvidas o melhor dessa geração até o presente momento e você que tem um Playstation 4, pode se sentir na obrigação de jogar essa obra! É um jogo que vai levar em média umas 6 – 10 horas pra fechar (desconsiderando cutscenes) e se você tiver o TOC de completar tudo, pode no mínimo dobrar esse tempo sem pestanejar. É um adeus à série? Talvez, mas todos sabemos que é bem provável que seja um até logo. Longa vida ao estúdio Naughty Dog, por nos presentear com mais um jogo sensacional! O que esperar de uma produtora que nos deu The Last of Us, não é mesmo? Claro que Uncharted 4 não tem uma história tão intensa quanto TLOU, mas sem sombra de dúvidas temos uma história mais realista e centrada na família e amigos, que realmente é o tesouro mais importa e o jogo faz questão de nos mostrar isso de uma maneira sutil, mas com uma maestria impressionante (For Better or Worse é sem sombra de dúvidas o melhor capítulo em termos de história da franquia).

Resumo, meus caros: joguem essa obra e não se arrependam. Não tem um Playstation 4? Compre ou jogue na casa de um amigo, mas não deixe essa experiência passar! Se você já era fã de Nathan Drake o “final” de sua carreira causará um impacto especial, mas caso você nunca tenha tido contato com a franquia prepare-se para uma caça ao tesouro como você nunca viu! Ao mesmo tempo o título é um adeus e uma homenagem à uma das maiores franquias da história recente dos games, mas será que é mesmo o fim? Estaremos aqui para descobrir.

Ficha Técnica:
Título: Uncharted 4: A Thief’s End
Gênero: Ação / Aventura
Desenvolvedora: Naughty Dog
Distribuidora: Sony
Data de Lançamento: 10/05/2016
Preço Sugerido: $59,99/R$199,90
Plataforma: PlayStation 4
* Resenha escrita e enviada pelo colaborador Anderson Pessoa

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