Resenha – Ouija: Origem do Mal

Apesar de não ter nem comparação com o primeiro longa, que teve aprovação de 7% no Rotten Tomatoes, Ouija: Origem do Mal não sabe trabalhar seus personagens e traz um roteiro preguiçoso,  demorado e fraco, além de pecar em seus efeitos especiais que beiram o risível.

O filme pretende contar a história de uma mãe e suas duas filhas, que, ganhando a vida com a vidência inventada, decidem levar para casa o tabuleiro Ouija, uma superfície de madeira com letras que possibilita a comunicação com espíritos. As regras são simples: 1) não jogar sozinho, 2) não jogar em cemitério e 3) sempre dizer Adeus.

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Com uma forte influência em filmes orientais, a direção de  Mike Flanagan (Sono da Morte, Hush) é acertada, mesmo que o seu roteiro não o seja. Todo o filme é coerente: a fotografia é condizente com a ideia dos anos 60, os figurinos e penteados também são corretos, mas o filme para por aí: tem um roteiro que não se aprofunda, que se leva a sério até o momento em que não se leva mais, e que por conta disso e por efeitos especiais pífios, prejudica não só toda a aura sobrenatural construída no início, como todo o trabalho de atuação feito até então.

Lulu Wilson parece ser a única que sabe o que está fazendo e como fazer, apesar de ser a integrante mais nova do elenco e não ter sua personagem aprofundada, assim todo os demais personagens. Faz expressões condizentes com o momento e com suas falas e tem uma presença forte quando atuando com outros atores mais experientes, porém os efeitos visuais em sua face muitas vezes estavam lá mais para atrapalhar do que para ajudar, com bocas grotestas e olhos brancos. Annalise Bacco fica um pouco atrás, mas é certamente uma atriz em ascensão, que pode ser, daqui alguns anos, com mais experiência e em filmes melhores, a nova queridinha de Hollywood.

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Além disso, o filme até tenta se preocupar em não ter clichês em momentos pontuais, mas não faz esforço nenhum para evitar os demais clichês em todo o restante. O ponto alto, que seriam as criaturas, não convencem, e o filme todo parece estar perdido e não saber se vai te dar sustos ou ser um filme dramático, pois tudo o que se espera de um filme de terror acontece no último ato, às pressas.

De maneira geral, Ouija: Origem do Mal trará sustos a quem os procura, mas é um teste de paciência até que eles aconteçam, já que toda a movimentação acontece apressadamente no fim, o que denota um (porém longe de ser o único) problema de roteiro que não há como ignorar.

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Ficha Técnica

Ouija – Origin of Evil – 2016
Duração: 99 minutos
Gênero: Suspense/Terror
Diretor:Mike Flanagan
Elenco:  Henry Thomas, Annalise Basso, Elizabeth Reaser, Lulu Wilson, Parker Mack, Doug Jones, Chelsea Gonzalez, Lincoln Melcher, Nicolas Keenan, Michael Weaver, John Prosky, Kate Siegel, Alexis G. Zall, Nina Mansker,  Chad Heffelfinger, Sam Anderson, Ele Keats e Eve Gordon.