Resenha – Os Sete

Os Sete, romance escrito por André Vianco, é sua primeira obra e parte de uma hexalogia composta pelos títulos Sétimo, O Senhor da Chuva e O turno da noite volumes 1, 2 e 3.

André Vianco é um escritor brasileiro conhecido por suas obras de fantasia que geralmente abordam seres sobrenaturais como os vampiros. Em Os Sete não é diferente: a história narra os percalços de sete vampiros contra os humanos.

Inicialmente o livro fora trabalhado por André Vianco em 2000 de maneira totalmente independente. Ele conseguiu vender muitas cópias, chamando a atenção da editora Novo Século que fez sua tiragem secundária. Agora, a obra faz parte do catálogo da Editora Aleph que conta com um prefácio do autor dizendo o que mudou agora que o livro completa 16 anos.

Por ser seu livro de estreia, André consegue criar uma trama que chega a ser envolvente, porém a estrada para o final do livro é esburacada e com tantos problemas que resultam uma obra com um potencial gigantesco, mas uma execução um tanto ruim.

O livro narra a história de 4 amigos que se envolvem na descoberta de uma caravela lusitana com mais de quinhentos anos afundada no litoral do Rio Grande do Sul. Dentro desta caravela há uma caixa metálica onde são encontrados corpos decompostos pertencentes aos vampiros. Eles são despertados por sangue devido a um pequeno acidente e a partir daí o livro tenta tomar sua forma. Diferente das histórias vampirescas que estamos acostumados, os vampiros daqui possuem habilidades únicas, algo muito interessante. Além disso, os vampiros não conhecem o Brasil e estão parados no tempo há tantos anos que tudo mudou, gerando reações engraçadas entre a tecnologia atual e os personagens saídos da era medieval.

Meu maior problema com a obra é a péssima criação dos diálogos. Assim como em Jogador Nº 1, Os Sete tenta trazer carisma aos personagens usando expressões tipicamente gaúchas e portuguesas, porém o faz de maneira ruim. Os personagens continuam vazios do início ao fim, não há desenvolvimento e por mais que tenhamos sete vampiros, a história se daria muito bem com um ou dois.

Continuando as partes ruins, o livro é recheado de clichês. A personagem feminina só serve para ser raptada por uma razão qualquer e passa metade do livro existindo apenas para ser resgatada por ser o par romântico de alguém que sequer parecia interessado nela no início do livro. O mesmo vale de todos os personagens militares, inseridos para alimentarem o estereótipo de céticos incapazes de observar todos os fatores sobrenaturais gravados e expostos durante toda a obra.

O livro não tinha a menor necessidade de ter o tamanho que tem. São incontáveis páginas de nada que não ajudam a dar vida e prosseguimento a qualquer coisa do livro. Com quase 450 páginas, Os Sete poderia muito bem ter metade das páginas existentes, sendo mais conciso e direto.

A escrita de André Vianco é bastante madura e em momento nenhum me senti lendo um livro de um escritor amador ou mesmo que fosse a primeira obra de alguém. Embora a história seja bastante truncada e longa de forma desnecessária, na maior parte do tempo André Vianco consegue guiar o leitor pelos ambientes e cenários de forma didática e interessante. O único ponto realmente negativo é a inclusão de explicações óbvias pelo autor durante o livro, algo que poderia ser retirado sem problemas.

Como sempre, a Aleph consegue lançar livros sem qualquer tipo de erro. É difícil encontrar uma editora que esteja tão empenhada em lançar livros com uma qualidade tão boa, tanto por fora quanto por dentro.

A trama é interessante em todos os seus aspectos, porém, como observado, mal explorada. A ideia de vampiros que vieram nas caravelas portuguesas 500 anos atrás é ótima, os poderes dados a eles também, assim como a intenção de tentar juntar o exército na jogada, porém, em todos esses núcleos existem contras que diminuem a qualidade da obra.

O melhor momento do livro é a origem dos vampiros, que é muito cativante e frenética. Fiquei verdadeiramente ansioso em saber mais sobre cada um deles, de como eles eram e suas histórias de vida antes de todo o ocorrido. O capítulo envolvendo um estupro de uma garota me tocou de maneira incrível, um tópico abordado com sutileza e com uma escrita bastante diferente do resto do livro. Realmente excelente.

No fim, Os Sete é um livro mediano, fica num limiar onde não consegue fazer cócegas no gênero que tenta entrar por falhar em fazer de todos os seus personagens algo cativante; uma trama que tinha tudo para ser ótima, mas acaba por ser afundada em erros chatos que incomodarão os mais familiarizados com o gênero. Cabe ao leitor querer ou não explorar a próxima aventura vampiresca de André Vianco

 

Prós:

– Trama principal

– Escrita habilidosa

Contras:

– Diálogos genéricos

– Clichê

– Personagens mal explorados

 

Editora Aleph                                                                   2016                                      429 páginas

  • Fernando

    Obrigado! Pensei que fosse o único no mundo a não considerar esse livro uma obra-prima. Comecei a ler há uns 7 anos, movido aos comentários entusiasmados que ouvia de amigos e críticos literários e achei uma decepção.

    A premissa é, de fato, muito boa e o primeiro terço do livro prende a tua atenção de maneira satisfatória… quer dizer… se tu conseguir ignorar alguns elementos bem mal pensados como o fato de o protagonista ser um herói chamado Titi (pensem no título “Titi, o caça-vampiros” e tentem manter a cara séria), cuja primeira reação ao ver os seres sobrenaturais é fugir com a namorada para São Paulo e literalmente assistir às tragédias pela televisão… Mesmo assim, não fica tão claro no começo que ele será o herói e isso não prejudica tanto assim a tensão nesse momento inicial.

    Mas, assim que todos os vampiros acordam, a trama vira um festival de bocejos. Várias cenas desnecessárias, descrições excruciantemente detalhadas e sem propósito. O livro se foca demais nos vampiros descobrindo as maravilhas tecnólogicas do século XXI, o que além de perder a graça rápido, enche uma história que devieria ser de terror com momentos cômicos demais. E, talvez o pior de tudo, o vampiro que devia ser o vilão principal e líder dos outros rapidamente perde a autoridade, sendo questionado pelos subordinados e, muitas vezes, derrotado por eles de modo bem humilhante.

    No final, temos um “grande confronto” entre um herói fujão chamado Titi e um vampiro-mestre que mal consegue ser respeitado pelos seus subordinados. Ficou animado? Pois é…