Resenha – Um Estado de Liberdade

Um Estado de Liberdade, novo filme de Matthew McConaughey em parceira com o diretor Gary Ross (Seabiscuit, Jogos Vorazes), é um grande épico entre os lançamentos da semana.

A história tenta retratar a vida e os feitos de Newton Knight, um fazendeiro que foi desertor da Guerra da Secessão e grande defensor das injustiças que a guerra trazia consigo, em uma época aonde o Mississippi era um lugar inóspito principalmente para negros, já que ele historicamente é conhecido como um dos Estados mais intolerantes daquela época, nos Estados Unidos.

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Com um recorte original da história, que só havia sido retratada em 1948, com o filme “Tap Roots” em preto e branco, é nítido que se trata de um épico, e como todo épico, tem uma longa jornada do heroi. O problema de “Um Estado de Liberdade”, na verdade, é que ele não se importa muito em detalhar de maneira pausada cada detalhe ou dialógo, ou focando demoradamente em sua fotografia incrível, e isso, dependendo do espectador, pode se tornar um pouco cansativo.

Porém, é um grande filme, que possivelmente será uma referência da incrível história de Newton no cinema mundial, tamanha sua grandiosidade e intensidade com relação a atuações, e tamanha sua preocupação com a tonalidade um pouco sombria e suja da realidade naquela época.

Matthew McConaughey (center) and Mahershala Ali (center left) star in THE FREE STATE OF JONES

Além disso, ele consegue retratar e recortar a história 85 anos depois de todos estes acontecimentos, e depois da Abolição da Escravatura, que ainda reverberava de maneira negativa e com retaliações nesse Estado. Mostra que, além da Ku Klux Klan, mesmo depois de décadas, a intolerância ainda prevalecia e a vida da população ainda era ameaçada por líderes preconceituosos.

Matthew McConaughey consegue dar vida a um fazendeiro bruto, que viu horrores da guerra e a morte de seus iguais, mas que igualmente é justo e um líder nato quando precisa, já que ele foi líder da resistência de desertores e negros fugidos, num tempo em que ambos levavam ao enforcamento. Mas, mesmo que ele seja o protagonista, o time de atores que compõe os companheiros de luta e suas paixões durante a vida também mantém uma constante na atuação, tornando o filme estável do início ao fim. Um destaque especial para Gugu Mbatha-Raw (Black Mirror), mulher negra e forte que se posiciona ao lado de Newton contra as injustiças da época.

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De maneira geral, apreciará este filme quem gosta de filmes históricos, épicos, que tenham uma certa estabilidade e que, logicamente, não tenha problemas com filmes longos. Caso contrário, terá uma constância irritante, sem grandes reviravoltas, e poderá cansar o espectador que procura apenas um entretenimento mais dinâmico.

No fim das contas, Um Estado de Liberdade é daqueles filmes para apreciar, e não apenas assistir.