Resenha – A Chegada (Arrival, 2016)

Em termos de roteiro e originalidade, A Chegada ganha com tranquilidade. Em meio a um ano repleto de remakes e de histórias que Hollywood já contou, é a grande surpresa para um 2016 duvidoso em termos de lançamentos.

Amy Adams faz Louise Barks, uma especialista em linguistica que, após ter trabalhado com as forças armadas dos EUA, se vê novamente convocada pelo Coronel Weber (Forest Whitaker), com a difícil tarefa de entrar em contato com os recém chegados, que estão em naves em formato de concha. O fime trabalha tanto com a percepção e a reflexão sobre o mundo e sobre situações extremas, que vai te deixar pensando durante um bom tempo depois de terminar.

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Aliás o papel de Amy se destaca, não no sentido de beleza, já que para uma caracterização fidedigna, cabelos bagunçados e cara de cansada fazem parte do papel, mas no sentido de atuação, porque ela vem crescendo muito como atriz, e a chegada pode demonstrar bem esse crescimento.

É necessário parabenizar igualmente o roteirista, pois foi um trabalho bem feito e cuidadoso ao ponto de quase não ter falhas, e também porque é um roteiro adaptado de um conto de Ted Chiang que foi “espremido” até termos 116 minutos de imersão, tudo com total maestria. Aliás, é um roteiro que foge bastante dos padrões, já que não subestima o espectador e ainda faz com que ele mesmo pense, não dando todas as informações mastigadas, e isso faz total diferença para o filme dar certo.

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É importante dar destaque também para a fotografia e os efeitos visuais que estão na medida certa, sem exceder demais o limite e sem serem mal feitos. Um ou outro CGI é perceptível, de resto é um filme completo, que cumpre com sua proposta e é uma das grandes surpresas desse fim de ano.

Aliás a trilha sonora, mais um ponto alto do filme, ajuda muito em sua funcionalidade porque cria toda uma aura de mistério e desconforto no espectador. Tem alguns vícios do Denis Villeneuve (Os Suspeitos, Sicario) que são um pouco desagradáveis, que é o enquadramento de cima a baixo que ele faz com certa frequência, e um ou outro enquadramento em close muito fechado, mas é um diretor que vem fazendo um trabalho interessante e daqueles para ficar de olho daqui pra frente, estando no auge de sua carreira.

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Finalmente, é o típico filme pra quem gosta de uma história bem contada, de ficção científica onde o menos é mais, porque eles trabalham mais com a tensão do que propriamente com efeitos, ou para pessoas que gostam de filmes que saem do lugar comum, o que também é um ponto positivo pra tornar o filme bom. E se há um certo receio em assisti-lo por achar que será mais um genérico de sci-fi catástrofe ou invasão alienígena, este receio é infundado e “A Chegada” acaba sendo um filme fora dessa curva, pois faz o espectador sair questionando tanto a existência terrestre quanto a linearidade do tempo.

 

Resumindo: vale muito a pena assistir “A Chegada” no cinema.