Resenha – Joyland

Joyland, romance escrito por Stephen King, é uma obra diferente do próprio autor que prefere investir em mistério e drama ao invés do terror.

Há alguns anos Stephen King tem trocado seu foco com relação à escrita: tem cada vez mais produzido livros com investigações e casos policias com pequenas pitadas de horror ou sobrenatural. Quem conhece a história de Stephen King sabe que ele tem a tendência a ser prolífero em algumas áreas e logo depois voltar para o seu básico onde trabalha com excelência o medo.

Em Joyland temos a história de Devin Jones, um garoto comum que pretende trabalhar no parque de diversões que dá título à obra. Por ser um estudante relativamente pobre, Devin aproveita a oportunidade para tentar juntar um dinheiro durante as férias e é exatamente no parque que toda a trama se enrola. Além disso, há o mistério da garota morta em um dos brinquedos.

Não diferente do que temos com quase todos os livros de Stephen King, a história demora bastante para tomar seu rumo. São páginas e páginas de desenvolvimento de personagem além da apresentação de todos os cenários e possibilidades que o livro irá usar. Tudo isso é apresentado de maneira gostosa e real.

Stephen King é conhecido por seus personagens e como os cria. Aqui nada é diferente: os personagens são desenvolvidos e adoráveis, chegam a ser palpáveis de tão reais e suas características e fraquezas são certas, criando assim uma verdadeira afinidade entre leitor e personagem.

King utiliza de primeira pessoa para guiar o livro. Devin é extremamente gentil e simpático, cativando todos os outros personagens durante a trama toda. Largado por sua namorada e com apenas 21 anos, virgem e sem muitas aventuras, o autor consegue criar uma realidade em torno de Devin que é assustadora. Os personagens principais são apresentados apenas depois da metade do livro – que já é curto – o que causa certa pressa no autor em finalizar tudo.

Embora vinculado ao gênero de mistério ou trama policial, Joyland usa disso para criar a história em volta da obra. Há mistério e polícia? Sim, mas em nenhum momento isso é fator importante para guiar a obra. O assassinato principal nada mais é do que uma trilha por onde o livro tenta seguir mas acaba esbarrando em tantos outros momentos brilhantes tirando o foco da narrativa mais pesada sobre morte e fantasmas assombrando um parque de diversão.

Há tantos temas abordados no livro já explorados por outras obras de King que nos saltam os olhos: fanatismo religioso, doenças terminais, fuga de ambientes danosos e primeiro amor. Tudo isso é implementado na obra harmoniosamente e de maneira sutil nunca parecendo forçado, te guiando para um caminho lindo onde o importante apenas é a vida de um adolescente nos Estados Unidos.

O sobrenatural permeia todo o livro. Temos um fantasma de uma garota morta, um personagem que consegue sentir o que as pessoas estão pensando. Stephen King dá seus toques em suas obras e Joyland não difere muito do que temos por aí com relação ao básico de Stephen King.

O mistério policial sobre o assassinato acaba por ser meu único problema. Ele parece sem razão para existir. Temos Devin e outras tantas pessoas trabalhando naquele local, suas vidas sendo conduzidas naturalmente, mas a maneira que o autor escolhe para juntar Devin e o assassinato é desnecessária, parecendo até confusa. Ao que me parece, Stephen só juntou os dois para que seu livro tivesse algum mistério a ser resolvido no final, o que não era necessário.

Mesmo assim Joyland é um excelente livro. Com personagens cativantes que se desenvolvem durante toda a trama, Stephen King prova mais uma vez que não é preciso ter uma história mirabolante para deixar o leitor com uma sensação de dever cumprido ao terminar de ler o livro.

Prós:

– Personagens Excepcionais

– Escrita Exemplar

– Trama

Contras:

– Gênero Desnecessário

Editora Suma de Letras                      2015                                      240 páginas