Resenha – Capitão Fantástico (Captain Fantastic, 2016)

E se “A Chegada” veio como uma grata surpresa em sair do lugar comum no gêreno Scifi e “Homem nas Trevas” no gênero suspense com o mínimo de recursos, “Capitão Fantástico” é uma grata surpresa no gênero drama com uma pitada de comédia, e um filme que possui muitas mensagens positivas.

Viggo Mortensen mostra que não perteu potência na atuação, juntamente com um time de atores novatos que, se bem trabalhados, poderão se destacar em produções futuras. Já Annalise Basso, uma menina que anda crescendo aos poucos na ind´sutria cinematográfica, sai do gênero terror em Ouija para um drama que mistura um pouco de comédia, e marca presença como uma das filhas de Ben, um homem que, juntamente com a esposa, decide criar os filhos longe da sociedade e das interferências capitalistas.

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A criação é bem sucedida e no início nós temos a visão só da família, e começa a pensar que viver na floresta não é tão ruim assim, e que eles adquiriram várias habilidades em função disso: são muito inteligentes desde pequenos, são apresentados a conceitos adultos de maneira muito sincera, como suicídio e sexo, ou estupro em alguns diálogos. Também aprendem a se defender, a usar facas, a terem senso crítico, a escalar, são atletas, caçam, falam muitas línguas e são devoradores de livros e super saudáveis.

Mas com o passar do tempo e com as coisas acontecendo e o roteiro se desenvolvendo, Matt Ross, que foi quem dirigiu e escreveu o filme, soube muito bem contar a história proposta, não deixando ela muito arrastada nem monótona, e tocando em pontos mais sensíveis, como a nudez e a super proteção das crianças na sociedade, ou as bolhas institucionais como escola e trabalho.

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Mostra os dois lados: o da família e o das pessoas normais, e o faz de uma maneira justa e imparcial, fazendo oespectador não concordar com um ou outro, mas que exista o equilíbrio entre os dois. Ele também aborda a história de maneira sensível e forte, ao mesmo tempo. As crianças mais novas se destacam juntamente com os supracitados, e os meninos não ficam para trás, fazendo com que o filme trabalhe numa harmonia entre atuações convergentes e fotografia impecável.

Na trilha sonora, duas músicas saltam aos ouvidos por serem bastante conhecidas: Sweet Child O’mine e My Heart Will Go On, com arranjos diferentes. Mas no geral a trilha sonora é marcada por música em piano e que se sobressai por ser suave.  Até os atores secundários tem feições familiares:  Kathryn Hahn já fez “Como perder um homem em 10 dias” e Steve Zahn pode ser visto em “Mensagem para você” e “Clube de compras Dallas”.

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Se quer um filme com uma boa história de pano de fundo e com atuações consistentes e diálogos inteligentes, Capitão Fantástico é um dos filmes que valem a pena de 2016.