Resenha – Atlanta FX

Atlanta, idealizada e protagonizada por Donald Glover, basicamente é uma série que não tem presenção de ser série. Com poucos elementos e apostando no simples, é considerada pelas grandes mídias uma das melhores séries de 2016.

Earn é um homem pobre que tem um relacionamento conturbado com a mulher, largou a faculdade de Princeton por alguma razão desconhecida e quer ajudar o primo, Paper Boy, a fazer sucesso na carreira de Rapper, no subúrdio de Atlanta.

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Com um roteiro inteligente e por vezes ácido, mas que contém críticas bem sutis e diálogos rápidos, Atlanta consegue ser a proposta mais original em termos de comédia na TV atualmente. Usando muitas vezes de situações absurdas e esteriótipos inversos, os idealizadores querem que todos saibam como é ser negro em todos os aspectos, tanto sociais quanto intelectuais, e que não é algo que se possa ser escrito, mas sentido pelo espectador. Que coisas incríveis podem acontecer com uma pessoa negra, mas que podem ser tiradas num piscar de olhos. A ideia de Donald é assustar as pessoas, porque é assim que é o sentimento de ser negro. E existe também uma preocupação muito forte em não querer que o público compare Atlanta com Empire, porque são propostas diferentes apesar de se apoiarem no tema Rap.

Cada personagem também consegue cativar o espectador de alguma forma. Paper Boy  (Brian Tyree Henry) é o personagem que tem as caras mais engraçadas da série e que vive se metendo em furada, mesmo sem querer. Earn (Donald Glover) é o mais quieto e o mais sério, que tem o objetivo de ganhar dinheiro agenciando o primo e não gosta muito de perder tempo tentando fazer isso. E, por fim, representando o núcleo feminino, Vanessa (Zazie Beetz) é a mãe da filha do Earn e que atura poucas e boas, mas que no fundo sabe que o marido tem um bom coração e que é um bom pai, e isso vai ficando claro com o passar dos episódios que são muito dinâmicos de assistir, já que tem a duração média de 25 minutos.

 

ATLANTA -- “The Big Bang” -- Episode 101 (Airs Tuesday, September 6, 10:00 pm e/p) Pictured: Brian Tyree Henry as Alfred Miles. CR: Guy D'Alema/FX

Diferente das sitcons tradicionais, com risadas forçadas da plateia e piadas com um timing contado, que de tempos em tempos provoca a risada de fundo para a série funcionar, Atlanta não necessariamente quer te fazer rir. Existem sim situações estapafúrdias em que eles se metem, mas que ao mesmo tempo se fazem verossímeis, além de extremamente engraçadas. Mas, às vezes, é uma situação corriqueira e tranquila, sem a obrigação de ser engraçado, mas sendo mesmo assim.

Divertida, leve de assistir e muito funcional, ela não quer te pegar pela beleza de cenários e nem por detalhes técnicos. Vai até um pouco na contramão disso, por vezes com ângulos esquisitos e utilizando até a linha vertical pra uma cena em que um dos personagens está usando Snapchat.

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Talvez a melhor arma da série pra fisgar novos espectadores e ser considerada uma das melhores séries de 2016 é esse charme despojado, a força do roteiro e ao mesmo tempo, a leveza do texto, além do detalhe principal: a música estar presente em todos os episódios.

A grata surpresa que Atlanta proporcionou e a recepção do público para a nova série entusiasmou tanto a FX que ela já foi renovada em uma segunda temporada.

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Então fica aí a dica pras férias! É uma série curta, divertida e com críticas sutis, que quer fazer o espectador refletir sem pretensão nenhuma, mas que é realmente efetiva nesse aspecto, além é claro de arrancar algumas risadas durante o processo.