Resenha – Corações na Sombras: Presságios de Guerra

Corações na Sombras: Presságios de Guerra é o primeiro livro da trilogia ainda por vir escrita por Allan Francis que traz dragões, elfos, magos e outras criaturas mágicas para a literatura brasileira.

Na trama, temos uma criatura misteriosa roubando os poderosos talismãs para abrir um antigo portal para o submundo caótico e cheio de criaturas más. Acompanhamos diversos personagens e como eles se relacionam. Há culturas diferentes, costumes e gostos peculiares entre cada região do mundo de Ifíanor e isso é sensacional.

Dentre os personagens mais interessantes destaco Itzanami, uma guerreira de uma cultura complexa e muito diferente. Embora pouco explorada, essa cultura abre o leque para diversas adições no futuro para outros personagens. Entretanto, os personagens possuem falas robóticas e sem carisma, algo a ser trabalhado pelo autor.

Entre os destaques está o magnífico trabalho de arte com relação ao mapa que é lindo e ao mesmo tempo bastante útil para guiar o leitor. Além disso, a criação do mundo é outro ponto muito importante. Allan consegue dar vida aos lugares de maneira espetacular. Os lugares são reais no mapa e conseguem trazer essa importância geográfica para a história. Abak, por exemplo, é uma cidade portuária que respira um fluxo gigantesco de pessoas indo e vindo além de ser uma região de extrema importância econômica.

Embora o livro seja bastante grosso, Allan dá leveza à trama. Em raros momentos o livro te cansa com descrições desnecessárias ou longos capítulos irrelevantes, algo que é bastante comum em obras de fantasia que tentam ambientar o leitor com longuíssimas exposições. Ao invés disso, temos um autor que prefere ser conciso naquilo que faz, levando os personagens para seus objetivos sem enrolação.

A edição é o maior problema do livro. É inaceitável que qualquer editora opte por publicar um livro com tantos erros básicos e primários. A editora deveria ter a obrigação de, caso não quisesse corrigir, ao menos tentar avisar o autor sobre isso.

Por ter sido quase um trabalho feito sem ajuda, Allan peca com o que poderia ter sido resumido ou reduzido do livro. Diversas cenas poderiam ser omitidas para não confundirem o leitor. Além disso, conforme as páginas passam, o livro começa a perder um pouco o fôlego, tornando-se levemente cansativo nas últimas páginas. Há vícios de linguagem que precisam ser sanados.

Há ameaças espreitando por todos os lugares e embora o livro não seja daqueles em que você se perde fácil, atente-se aos personagens e suas motivações. Os segredos serão revelados aos poucos e, para isso, você deve se lembrar de eventos que ocorreram no passado para não ficar confuso com o caminho que a história está tomando. Com relação ao número de personagens, eles são muitos mas possuem características bastante distintas então eles não serão um problema.

Corações nas Sombras é um diamante a ser bastante lapidado. Com diversos problemas e grandes acertos, o livro se tornará uma grande obra se esses erros forem corrigidos e os acertos enaltecidos em uma nova edição.

Prós:

– Criação do Mundo e Arte

– Leveza na Escrita

Contras:

– Edição

– Vícios de Escrita

– Personagens sem carisma

Editora Chiado                         2016                   736 páginas