Resenha – All Star Batman: Meu Pior Inimigo

“Quando ele é Harvey, ele é uma alma verdadeiramente boa. Quando ele é Duas-Caras, ele revela a escuridão humana. ”

Após alguns meses de férias do cavaleiro de Gotham, depois de cinco anos trabalhando na série mensal do personagem, aclamada pela crítica durante o período dos Novos 52, onde teve a chance de reimaginar o morcego em diversos arcos memoráveis como “A Corte das Corujas”, “Morte em Família” e “Ano Zero”, todas com a característica arte de Greg Capullo, o roteirista Scott Snyder retorna para mais uma épica história na cronologia do morcego com uma nova revista chamada ”All-Star Batman”, paralela ao título principal do personagem no renascimento.

O conceito da revista surgiu com o desejo do escritor de trabalhar com os mais diversos e icônicos vilões do morcego, que não foram explorados na série mensal, tendo a liberdade de escrever arcos menores, focando em apenas um vilão, com o auxílio de um desenhista diferente para cada arco. Para inaugurar com chave de ouro, foi escolhido o vilão de dupla personalidade, Duas-caras, também conhecido como Harvey Dent, criado por Bob Kane para a revista “Detective Comics #66” de agosto de 1942, tendo como inspiração o filme de Spencer Tracy, “O Médico e o Monstro”.

Após Duas caras cometer um atentado terrorista, atingindo grande parte da população com uma espécie de chuva ácida, Batman acredita que a única maneira de salvar a cidade é trazer de volta permanentemente a personalidade de Harvey Dent, pois não adiantaria colocá-lo de novo em Arkham, já que a personalidade do mal conhece os segredos de pessoas influentes de Gotham da época em que trabalhava como promotor público, assim chantageando sua liberdade de volta as ruas.

Uma história fora do comum no universo do homem morcego, tendo como foco a viagem de 805 km, enfrentando diversos vilões na estrada até chegar ao seu destino, digna de um roteiro de “Mad Max”

Logo na primeira página somos presenteados com uma sequência cheia de ação, definitivamente uma das melhores do desenhista,John Romita Jr., mais conhecido pelo seu trabalho na Marvel no título “The Amazing Spider-Man” e em “Superman: The Men of Tomorrow”. Com Batman sendo arremessado para dentro de uma lanchonete de beira de estrada pelos mercenários Vagalume e Mariposa Assassina, contratados pelo próprio Duas-Caras, que ameaçou todo mundo em Gotham, de pessoas comuns até os mais conhecidos vilões, se eles conseguissem chegar em seu destino, os segredos de todos iriam ser liberados na integra, oferecendo uma fortuna para quem os impedissem e matasse o morcego, começando assim uma corrida pela sobrevivência.

Snyder começa a trama de forma alinear, introduzindo diversas camadas e utilizando flashbacks para complementar a narrativa, posicionando-os na melhor forma possível para esclarecer a história. Colocando temas reais para serem discutidos no decorrer da trama, como o diálogo em que Harvey debocha do morcego por ele acreditar que todo mundo possui um lado bom, em contrapartida, tenta provar que todo mundo possui um lado ruim e que ele sempre se sobressai. De um lado vemos Batman decidido a curar seu velho amigo de infância, de outro, um Duas-Caras estranhamente confiante de que era uma cruzada que não levaria a lugar nenhum.

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O arco, “My Own Worst Enemy”, publicado em cinco partes pela DC comics no ano passado, inicia com perfeição esse recomeço para o cavaleiro das trevas, não tem muito o que falar de Snyder, por já estarmos familiarizados com o seu trabalho, digno de elogios, com o morcego nos últimos anos, talvez um dos melhores títulos em todo os novos 52. Com um Batman fora de seu habitat natural, colocando o morcego em situações inéditas, com o adicional de um timer no final de cada edição, aumentando a curiosidade para o desfecho da história, e que desfecho sensacional.

O novo “Robin”, Duke Thomas, criado pelo próprio Snider e um dos protagonistas da “Guerra dos Robins” (atualmente sendo publicada pela Panini), possui uma participação fundamental na história extra que acompanha cada uma das edições desenhada por Declan Shalvey. Mostrando seu treinamento com o Batman, que o está treinando para ser algo além de um sidekick, enquanto ele lida com as consequências do último ataque do Coringa em Gotham no arco “Endgame”, que deixou seus pais loucos ao serem expostos pela toxina do Coringa.

A surpresa fica em cargo de Romita Jr, que apesar do exagero de sangue em seus desenhos causando um pouco de incoerência em alguns quadros, consegue desenhar um Batman preparado para enfrentar todas as diversidades impostas pelo seu caminho durante toda a história, com cenários enormes e muito bem detalhados.

Não importa a sua expectativa, com certeza esse primeiro arco vai te surpreender. Uma história mista de diálogos densos, carregada de ação explosiva em um ritmo frenético, uma leitura obrigatória para os fãs do Homem-Morcego e de filmes de ação dos anos 80.

Hyader Oliveira

Estudante de Jornalismo e criador do Blog "Tocah Do Coruja", viciado em escrever sobre quadrinhos, cinema e desenhos animados. Por ser um aficionado por esse universo fantástico desde antes de aprender a ler e escrever, sempre quis saber mais sobre meus heróis favoritos garimpando de blog em blog informações e conceitos relacionados a esse universo.