Resenha – Forrest Gump

Forrest Gump, romance escrito por Winston Groom, é a obra que precedeu ao filme ganhador de vários Oscars.

Diferente do que temos no filme, Forrest Gump é se parece mais com um compilado de acontecimentos da vida do personagem do que uma trajetória cronológica de suas memórias. Aqui temos um Forrest um pouco diferente além de uma escrita em primeira pessoa.

Embora a escrita em primeira pessoa aproxime o leitor de Forrest, nem sempre nos cativamos com ele. Às vezes Forest consegue fazer coisas por simples impulso que irritam o leitor, guiando a história para acontecimentos maléfricos ao personagem. Isso é uma tentativa de dar maior vida ao próprio personagem e não transformá-lo em um “herói” na sua própria narrativa.

A escrita de Winstom é simples e bastante concisa. Assim como Allan Francis, ele parece levar os acontecimentos de A até Z sem trazer cansaço a quem está lendo. A Editora Aleph optou por criar os mesmos erros gramaticais do original, dando a impressão de que Gump é uma pessoa burra ou pouco letrada.

Como ele mesmo diz, Forrest Gump é um idiota em todos os sentidos. Não há uma verdadeira explicação para a condição do rapaz. Ele diz ser um idiota e será tratado assim até o fim. Embora seja bonzinho, Forrest não possui grandes amigos. A maioria deles parece gostar dele apenas por interesse ou para tirar sarro. As pessoas entram e saem de sua vida com a mesma velocidade, deixando o leitor pouco interessado nos destinos dos personagens mais secundários.

Se você procura algo parecido com o filme, é bom que esteja atento a diversos detalhes. Inicialmente o livro até se parece com sua versão cinematográfica, mas pouco ou nada tem em relação depois. Se nas telonas temos um foco na construção do personagem, no livro temos um Forrest que pouco evolui diante de tudo.

Meu maior problema com o livro foi o seu surrealismo completamente inesperado. Até a metade da obra temos um guia bastante conciso de tudo e todos ao redor, de motivações e explicações, mas, ao passar dessas páginas, vemos a história tomar um rumo confuso, irreal e às vezes até imbecil. As ações de Forrest parece serem esquecidas por pessoas importantes e são repetidas a níveis incompreensíveis: desde Forrest ir para o espaço com um macaco que é mais inteligente do que ele, até virar lutador profissional. Nada parece fazer sentido, e achei que o autor mais quis aumentar o livro com minihistórias que não eram relevantes do que dar maior amplitude ao próprio personagem principal.

A edição do livro está espetacular. Com uma capa com jacket reversível onde você pode escolher entre duas cores, além de capa dura com relevo, a arte dentro do livro fica excepcional com o trabalho feito de Rafael Coutinho, utilizando cores chamativas e formas diferentes. Resumindo, a parte física do livro é digna de edição de colecionador. A obra pode ser encontrada facilmente por preços bem acessíveis, o que é um fator ótimo.

Pela primeira vez na história, um livro seja menos interessante do que sua versão para as telonas. Isso se dá por ser bem menos sentimental e profundo em seus próprios temas. Mesmo assim, é divertido e gostoso acompanhar Forrest e ver como seria sua versão de sua própria vida.  Se você é daqueles que quer ver mais aventuras sobre aquele personagem, o livro foi feito para você. Se você é daqueles que busca mais detalhes e um lado mais sentimental e evolutivo do personagem, fique com o filme.

 

Prós:

– Temas abordados

– Escrita simples

– Livro físico

Contras:

– Surrealismo desnecessário

– Personagens mal desenvolvidos

Editora Aleph                         2016                   392 páginas