Resenha | Alien: Covenant

“Meu nome é Ozymandias, rei dos reis: Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!”

É engraçado quando você está tão acostumado em assistir filmes com teor mais leve, como os mais recentes Blockbuster de super-heróis, onde gargalhadas e comentários alheios a trama acabam atrapalhando as falas dos personagens durante o tempo todo, mas obviamente esse não é o caso em Alien: Covenant, o silêncio reinava absoluto na sala lotada pelos fanáticos dessa controversa saga cujo início se deu com o cargueiro estelar Nostromo em 1979, era nítida talvez por ser uma sessão de pré-estreia, a tensão entre os fãs da franquia antes de iniciar a mais nova aposta do diretor Ridley Scott pela falta de pacienta com os atrasados, que procuravam seus lugares escolhidos com antecedência, segundos depois do longa ter tido seu tão aguardado início.

A premissa do mais novo capítulo da franquia iniciada 10 anos após do final de Prometheus, focando inicialmente na tripulação da nave Covenant, ou numa tradução livre aliança, já que sua tripulação é composta por casais viajando pela galáxia, em uma missão de colonização, mas o inesperado acontece e eles encontram um planeta remoto com ares de paraíso inexplorado depois de receber uma transmissão misteriosa. Encantados, eles acreditam na sorte e ignoram a realidade do local, uma terra sombria que guarda terríveis segredos. É nesse planeta vazio que nos reencontramos o sintético David, interpretado por Michael Fassbender, explicando por cima o que aconteceu após o termino de Prometheus, acrescentando mais uma camada a mitologia criada por Ridley Scott e revelando um dos maiores mistérios envolvendo a origem dos asquerosos e esguios Xenomorfos.

Trazendo a volta do diretor Ridley Scott para assumir o comando no sexto filme da franquia Alien, escrito por John Logan e com o auxílio de Jed Kurzel para a composição sonora do filme. Como em toda saga grande parte do elenco é dispensável e faz bobagens durante a exploração do planeta desconhecido, contando com a presença de Michael Fassbender, Katherine Waterston, James Franco, Danny McBride, Demian Bichir, Jussie Smolett, Amy Seimetz, Carmen Ejogo, Callie Hernandez e Billy Crudup. Vale a pena comentar que a presença de James Franco no elenco chega a ser um dos únicos momentos cômicos do longa.

Ainda sobre o elenco a protagonista Daniels, interpretada pela Katherine Waterston é uma versão requentada da icônica Ellen Ripley interpretada pela grandiosa Sigourney Weaver na quadrilonga original, de forma exagerada digna de pena.

Por ser uma continuação direta de Prometheus, quem gostou do preludio vai gostar de Covenant afinal ele casa perfeitamente com o que Ridley construiu em Prometheus com o terror clássico de Alien, O Oitavo Passageiro enquanto abre uma possível ligação com o segundo filme da franquia, Aliens, O Resgate dirigido por James Cameron em 1986, explicando todas as pontas soltas deixadas pelo preludio e deixando mais algumas para serem respondidas na sequência.

A atuação de Michael Fassbender, interpretando dois personagens “gêmeos” com personalidades completamente opostas, servem como a cereja do bolo. A prepotência de David e a submissão quase ingênua de Walter é o que move a trama durante o longa, debatendo com discursos filosóficos suas visões sobre o sentido da vida, chegando a citar o soneto Ozymandias destacado a cima de Percy Bysshe Shelley, publicado em 1818, utilizado para descrever a transitoriedade do poder e a relação entre artista e sua obra, o que sintetiza a identidade assumida de David após a morte de seu criador.

O chamariz do filme com certeza é a presença do Alien com o visual clássico numa ambientação magnifica digna dos filmes de Ridley Scott, mas é Fassbender novamente que acaba roubando a cena, principalmente em um momento polemico com Walter, onde o ego de David se aproxima tanto de um ser humano de verdade que ele desenvolve uma espécie de narcisismo.

Vale a pena destacar que pela primeira vez em toda franquia, alguém realmente é posto de fato, em quarentena.

Alien: Covenant funciona muito bem como mais um episódio na mitologia Alien, mas por ser uma sequência direta de Prometheus pode afastar o público que não gostou dessa abordagem mais filosófica vista na primeira parte do preludio, mantendo o clima de O Oitavo Passageiro, principalmente no visual dos tripulantes e da tecnologia presente na nave, mantendo um ambiente ainda mais familiar entre os membros do que nos filmes anteriores, deixando mais aceitável as atitudes burras dos personagens, que pelas emoções acabam ignorando o procedimento correto em algumas situações de perigo.

Hyader Oliveira

Estudante de Jornalismo e criador do Blog "Tocah Do Coruja", viciado em escrever sobre quadrinhos, cinema e desenhos animados. Por ser um aficionado por esse universo fantástico desde antes de aprender a ler e escrever, sempre quis saber mais sobre meus heróis favoritos garimpando de blog em blog informações e conceitos relacionados a esse universo.