Resenha – O Livro de Moriarty

Considerado o grande autor de novelas policiais, Arthur Conan Doyle criou o detetive mais famoso do mundo, seja por sua excelente dedução, carisma ou até por sua personalidade única em um mundo onde as histórias e as reviravoltas no enredo eram o grande ápice de qualquer obra literária.

Confesso que esta foi a minha primeira obra de Conan Doyle e quando terminei, fiquei com a sensação de que deveria ter conhecido o autor muito antes. Temos em O Livro de Moriarty o maior inimigo de Sherlock Holmes: o Professor Moriarty. Na obra, temos seis contos e um romance onde se Moriarty não aparece, ele é o verdadeiro culpado por trás dos acontecimentos.

A escrita de Conan Doyle é simples e ao mesmo tempo espetacular. Ele prefere focar nos diálogos ao longo de todos os contos, prefere dar aos personagens uma aura de realismo que hoje parece bastante difícil de conseguir. Se você se incomoda com livros pouquíssimos descritivos, talvez O Livro de Moriarty não seja um livro para você. Narrados especialmente por Watson, todos os contos são simples, rápidos e prazerosos de se ler sem que você fique com aquela cara de já saber tudo sobre o final.

Devo dizer que o melhor realmente ficou para o final: O Vale do Medo, romance dividido em duas partes é o ponto mais alto do livro todo. Enquanto temos todos os fatos narrados por Watson durante todos os contos, Doyle mostra sua versatilidade ao mostrar que consegue escrever em terceira pessoa como ninguém, sem se ater a detalhes irrelevantes ou descrições, o autor parece saber qual o fluxo ideal para manter o leitor ansiando por mais.

Meu único ponto negativo seria para o formato do livro. Ao optar por fazer um livro de bolso sem orelha, o mesmo parece ficar deformado rapidamente, além de desgastar nas pontas com extrema facilidade. Talvez seria mais interessante ter uma orelha ao menos mínima para preservar o livro por mais tempo.

Além dos contos e do romance, temos também uma excelente introdução do tradutor que examina a relação entre Holmes e Moriarty de maneira genial, dando um pano de fundo para uma maior compreensão. O livro também com notas de rodapé que são perfeitamente colocadas para termos pequenas explicações, deixando a obra ainda mais fácil de ser entendida.

Se temos Watson como narrador de quase todos os contos, Sherlock Holmes é quem brilha de maneira impressionante. Arthur usa tanto uma linguagem quanto uma premissa que dão certo tom de comédia ao longo de todas as histórias e não é difícil se pegar sorrindo para os diálogos entre os personagens. Holmes é um personagem memorável que trabalha à sua maneira sem deixar ser influenciado pelos outros. O relacionamento entre Holmes e Watson também é outro fator a ser aclamado: Watson parece completar Holmes diante de sua falta de tato/sentimentos.

Embora grande, O Livro de Moriarty é uma leitura que facilmente é completada em um único dia. Tudo isso graças à genialidade de Arthur Conan Doyle em dividir os contos e os capítulos do romance em momentos exatos, deixando o leitor sedento para mais.

Por fim, O Livro de Moriarty é uma obra espetacular em todos os aspectos. Seja pelos contos simples, divertidos e sem grandes firulas ou seu romance que é o destaque de toda a obra, Arthur Conan Doyle mostra que não só é um autor que consegue escrever histórias bem boladas como também tem a habilidade em dar vida a um dos personagens mais famosos e complexo da literatura.

 

Prós:

– Escrita Excelente

– Criação de Personagens

– Tramas Envolventes

Contras:

– Livro sem Orelha

Editora Penguin/Companhia das Letras                           414 páginas                                                       2017