Resenha – Caçador em Fuga

George R.R. Martin é um autor multifuncional em diversos segmentos. Seja ele um editor, um escritor, um roteirista e um produtor de TV, George parece tornar ouro tudo o que toca ultimamente. Mesmo sem lançar o sexto volume das Crônicas de Gelo e Fogo, Martin consegue manter um ritmo de tantos trabalhos paralelos assustando qualquer um que tente acompanhar suas ideias.

Lançado em maio deste ano, Caçador em Fuga é mais um dos livros que exploram o universo sem ser profundo demais. Diferente de outras obras como Os Despossuídos, Caçador em Fuga é um livro de ação do início ao fim.

Iniciado em 1976, o livro só foi terminado quando um dos autores – Daniel Abraham, Gardner Dozois e o próprio George R.R. Martin – resolveu reeditar o trabalho e lança-lo em formato de livro em 2007.

Em Caçador em Fuga, temos Ramon Espejo, um mexicano, que vai para o planeta colônia chamado São Paulo tentar uma nova vida sendo minerador. Neste planeta repleto de latino-americanos é que a trama toda se passa. Ramon decide fugir após saber que a polícia está atrás dele. Ao fugir, ele é capturado por uma raça alienígena que o prende a uma coleira, o obriga a encontrar o outro humano que descobriu o lar dos extraterrestres e conseguiu fugir.

Ramon é de longe o ponto mais interessante do livro. Com um carisma bad boy e uma agressividade excessiva, o mexicano é o único personagem que nos importamos já que ele é um dos únicos que está no livro. Temos também o alienígena que o acompanha, porém o papel dele é bastante clichê e caricato, fazendo perguntas o tempo todo parecendo não saber a anatomia básica humana.

Outro destaque bastante interessante vai para a ambientação do planeta São Paulo e sua origem. Sabendo que havia pouquíssima representação latino-americana em livros de ficção científica, Dozois foi o idealizador do personagem, inserindo sua nacionalidade e criação de mundo para algo que nós, brasileiros, poderíamos nos identificar. Há também a piadinha interna ao falar sobre todos acharem que os brasileiros falam espanhol e por isso, somos apelidados de portugueses. Tudo isso cria uma identificação instantânea e é realmente legal ver um escritor que parece se importar com representatividade.

Dentre o ponto negativo mais conflitante temos a escrita que parece confundir em diversos momentos. Embora tenha três autores, Caçador em Fuga possui menos de 300 páginas, sendo completamente desnecessário tanta gente para uma trama tão simples e tão pequena. Em diversos momentos temos uma quebra abrupta de escrita e notamos claramente onde um autor começou a escrever e onde o outro terminou. Há partes muito interessantes, mas também há cenas e diálogos tão bobos e dispensáveis que fazem acreditar que a inserção de Martin parece apenas uma jogada de marketing para tentar vender o livro.

Diante de uma premissa bastante simples e uma criação de mundo interessante, Caçador em Fuga é um livro para quem busca um prazer rápido sem se importar com uma escrita completamente inconsistente e uma ótima ambientação. Além disso, a ideia de colocar o livro centrado no povo latino-americano, os autores conseguiram dar ainda mais carisma para um personagem que poderia ser genérico mas acaba se tornando o grande salvador da obra.

 

Prós:

– Personagem Principal

– Ambientação Latina

Contras:

– Escrita Conflituosa

Editora Leya                                        304 páginas                                                       2017